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A OBRA-PRIMA DO THRASH METAL BRASILEIRO QUE CONQUISTA O CENÁRIO GLOBAL

  • 4 de mar.
  • 8 min de leitura


A Deathgeist é um dos nomes mais sólidos e respeitados do Thrash Metal brasileiro contemporâneo, carregando consigo o DNA de uma das bandas mais icônicas do gênero em São Paulo, o Bywar. Fundada em 2017 (embora as movimentações tenham começado no fim de 2016), a banda surgiu com o propósito de manter acesa a chama do Thrash "Old School", equilibrando a agressividade da escola alemã (Sodom, Kreator, Destruction) com a técnica e os riffs marcantes da Bay Area americana (Exodus, Metallica antigo).

Aqui está um panorama detalhado sobre a banda:

1. Origem e Formação

A banda nasceu da união de veteranos da cena underground. O núcleo principal conta com Adriano Perfetto e Victor Regep, ambos ex-membros do lendário Bywar. Essa bagagem reflete diretamente na maturidade das composições e na execução técnica do grupo.

2. Discografia

Em poucos anos, a Deathgeist construiu uma discografia consistente, lançando álbuns que figuraram em diversas listas de melhores do ano no Brasil e no exterior:

• Deathgeist (2017): O debut autointitulado que já chegou "com os dois pés no peito". Destaque para faixas como "Day Of No Tomorrow" e "Death Razor".

• 666 (2019): Um álbum direto e agressivo que consolidou o estilo da banda. Com cerca de 31 minutos, é um "soco na cara" que mostra a evolução dos riffs da dupla Perfetto e Regep.

• Procession of Souls (2022): O terceiro full-length, lançado pela Mutilation Records (e internacionalmente pela Punishment 18 Records). É considerado por muitos o trabalho mais maduro e técnico da banda, com uma produção excelente e artes de capa cada vez mais elaboradas.

3. Sonoridade e Estilo

O som do Deathgeist é caracterizado por:

• Riffs Cortantes: O trabalho de guitarras é o coração da banda, com harmonias sujas e solos rápidos.

• Vocal Ácido: Adriano Perfetto possui um vocal ríspido e característico que remete à crueza de Paul Baloff (Exodus) e à agressividade dos vocais europeus.

• Temática: Letras que abordam horror, morte, questões sociais e a própria cultura do metal, sempre mantendo a estética tradicional do gênero.

RESENHA: UNDERWORLD (2026).

Esta resenha técnica e analítica, mergulha nas profundezas de "Underworld", o quarto e mais ambicioso capítulo da discografia da Deathgeist. Lançado em 09 de janeiro de 2026, o disco chega ao mercado através de uma poderosa aliança entre o selo independente da banda e as renomadas Punishment 18 Records (Itália) / Mutilation Records - Productions & Thrash or Death Records (Brasil), consolidando a banda como uma potência global do Thrash Metal, transcendendo os limites do gênero ao flertar com o Horror Cósmico e o Heavy Metal Clássico.

Análise Faixa a Faixa

• 01. Underworld: A faixa-título abre o portal com uma atmosfera densa, fugindo do clichê da introdução separada. A música é uma fusão titânica entre o peso do metal germânico (Sodom/Kreator) e a melodia épica do Grave Digger. Adriano Perfetto entrega uma performance vocal teatral, alternando entre o rasgado agressivo e passagens mais lúgubres. O uso de sintetizadores atmosféricos nesta canção a tornam literalmente uma vitória no mundo subterrâneo. Instrumentalmente, as guitarras de Regep e Perfetto criam uma parede sonora intransponível.

Tema Lírico: A descida metafórica (e literal) ao submundo, explorando o horror que reside sob a superfície da consciência humana.

• 02. Mind Games: Aqui a banda exibe seu lado mais "feeling oitenta". A canção começa com uma introdução melódica cativante que logo descamba para um Thrash técnico. O baixo de Maurício Bertoni é o destaque, pulsando com precisão sob os riffs cortantes. Os solos são rápidos e cirúrgicos, respeitando a escola técnica de bandas como Coroner.

Tema Lírico: Manipulação psicológica, sanidade e as armadilhas da mente.

• 03. Destination: Dust: Puro suco de moshpit. Esta é a faixa mais violenta do álbum, com um BPM elevado e riffs "quebra-pescoço". A bateria de Fernando Oster é um massacre rítmico, provando por que ele é um dos bateristas mais técnicos da cena atual. Os vocais são ácidos e diretos, sem espaço para sutilezas.

Tema Lírico: O niilismo e a inevitabilidade da morte; o retorno de tudo o que é vivo ao pó.

• 04. The Kraken's Wrath: Um hino de Heavy Metal tradicional dentro de uma estrutura Thrash. É a faixa feita para erguer os punhos nos shows. A cadência é mais marcada, permitindo que a melodia das guitarras brilhe intensamente. A interpretação de Adriano aqui é mais limpa em certos momentos, trazendo uma dramaticidade heróica à canção.

Tema Lírico: Mitologia náutica e a fúria indomável da natureza personificada no monstro das profundezas.

• 05. U.F.O Inc: A veia Sci-fi/Terror Cósmico do Deathgeist pulsa forte aqui. A música carrega uma aura de mistério, com riffs mais "espaçados" e um trabalho de sintetizadores sutil que cria uma tensão constante. O instrumental é intrincado, lembrando a fase mais técnica do Megadeth.

Tema Lírico: Teorias da conspiração, abduções e a presença alienígena como uma corporação sinistra.

• 06. Last Memories: Uma peça melancólica e pesada. A canção explora dinâmicas de luz e sombra, com momentos mais calmos que explodem em refrãos potentes. O trabalho vocal é um dos mais versáteis do disco, transmitindo desespero e agonia.

Tema Lírico: O drama existencial de quem perde a própria identidade através do esquecimento ou da demência.

• 07. When Darkness Falls: Retorno ao Thrash agressivo com um toque de Black Metal nas harmonias de guitarra. A velocidade volta a ser o foco, mas a banda nunca perde o controle técnico. A "cozinha" (baixo e bateria) está perfeitamente sincronizada, criando uma base de aço.

Tema Lírico: O medo do desconhecido e o terror que desperta quando a luz se apaga.

• 08. Into the Darkwood: Uma jornada sonora épica. Com mais de 5 minutos, a faixa se desenvolve como um conto de horror clássico. As guitarras de Victor Regep entregam solos carregados de alma e técnica, enquanto as passagens cadenciadas dão um ar cinematográfico à obra.

Tema Lírico: O folclore macabro e a jornada perdida dentro de florestas ancestrais e amaldiçoadas.

• 09. Skinwalkers: O encerramento é apoteótico. Uma faixa técnica que resume bem a proposta do álbum: agressividade, técnica apurada e temas sombrios. Os riffs finais são alguns dos melhores já compostos pela banda, deixando o ouvinte em um estado de catarse sonora.

Tema Lírico: O mito dos transmorfos nativo-americanos, tratando de perda de humanidade e predadores ocultos.

Análise Técnica de Produção: Engenharia e Arquitetura Sonora de Underworld:

1. Gravação (Tracking e Captação)

A gravação de Underworld revela um cuidado meticuloso com a fonte sonora original. Diferente de produções saturadas de "triggers" (gatilhos eletrônicos) que pasteurizam o som, nota-se aqui uma busca pelo timbre orgânico:

• Guitarras: Utilizou-se a técnica de double-tracking (e em alguns momentos quad-tracking) para criar uma parede sonora vasta. O timbre de Adriano Perfetto e Victor Regep evita o excesso de ganho, priorizando a saturação das válvulas, o que garante a definição de cada nota nos riffs mais rápidos.

• Bateria: A captação de Fernando Oster é o coração do álbum. Os microfones de sala (room mics) foram estrategicamente posicionados para captar a ressonância natural dos pratos, evitando aquele som "enlatado" comum no Thrash moderno.

• Vocais: A voz de Adriano foi gravada com uma compressão moderada na entrada, preservando a dinâmica das interpretações mais teatrais e o "rasgado" natural da laringe.

2. Mixagem (Equilíbrio e Espacialidade)

A mixagem de Underworld é o que eu classifico como "Mixagem Tridimensional".

• Separação de Canais: Há uma separação nítida entre as frequências. O baixo de Maurício Bertoni não é apenas um "vulto" grave; ele possui um estalo metálico e frequências médias bem definidas que preenchem o vácuo entre as guitarras e o bumbo.

• Panning (Estereofonia): O uso do panorama estéreo é inteligente. As guitarras rítmicas estão abertas em 100% L/R, enquanto os solos cortam o centro com uma leve reverberação que lhes confere profundidade sem embolar a base.

• Uso de Ambientes: Diferente dos álbuns anteriores, Underworld utiliza reverbs e delays mais sofisticados, especialmente nas faixas como "U.F.O Inc" e "Into the Darkwood", criando uma atmosfera de "horror espacial" que amplia o palco sonoro.

3. Masterização (Finalização e Loudness)

A masterização é o ponto onde o álbum atesta seu status global. Vivemos a era da "Loudness War" (guerra do volume), mas o Deathgeist optou pelo equilíbrio:

• Dynamic Range (Range Dinâmico): O álbum possui um "headroom" saudável. Isso significa que, mesmo sendo um disco alto e impactante, ele não fadiga os ouvidos. Há "ar" entre os instrumentos.

• Coesão Tonal: A masterização amarrou as faixas de forma que o álbum soe como uma unidade coesa. As frequências agudas foram polidas para serem agressivas sem serem "estridentes" (piercing), enquanto os sub-graves foram controlados para não gerar distorção em sistemas de som menores.

Veredito da Engenharia de Som

A produção de Underworld posiciona o Deathgeist no mesmo patamar de produções assinadas por nomes como Andy Sneap ou Jens Bogren. É um som que respeita o passado analógico do Thrash Metal, mas utiliza todas as ferramentas da era digital para entregar uma experiência de audição de alta fidelidade.

Nota de Produção: A clareza alcançada neste álbum permite que o ouvinte identifique cada virada de tom, cada harmônico artificial e cada linha de baixo, elevando o trabalho de "artigo de portal" para uma peça de estudo técnico para produtores de metal extremo.

Análise da capa

A capa do álbum "Underworld", apresenta uma estética sombria e grandiosa, fundindo elementos do horror gótico clássico com uma ambientação urbana e futurista.

1. Elementos Centrais e Simbolismo

• A Morte (Ceifador): No centro da composição, sob um arco ogival, destaca-se a figura clássica da Morte. Ela está envolta em uma túnica negra esfarrapada, segurando uma grande foice. Seus olhos brilham com uma luz azul gélida e sobrenatural, e ela estende a mão esquerda em direção ao espectador, criando um efeito de profundidade e ameaça.

• O Portal/Catedral: A cena se passa dentro de uma estrutura que remete a uma catedral gótica em ruínas ou um palácio sombrio. As colunas de pedra e os arcos direcionam o olhar para o centro, reforçando a imponência do "Underworld".

2. Contraste de Cenários (Dualidade) Através das grandes janelas laterais, observamos dois mundos distintos que sugerem uma conexão temporal ou dimensional:

• Lado Esquerdo (Passado/Ancestral): Mostra um deserto sob um céu crepuscular avermelhado, com pirâmides ao fundo. Isso evoca temas de civilizações antigas, morte e eternidade.

• Lado Direito (Futuro/Distopia): Revela uma metrópole futurista iluminada por luzes neon azuis, com arranha-céus colossais e naves ou projéteis cruzando o céu. Representa o "submundo" urbano e a desolação tecnológica.

3. Detalhes Arquitetônicos e Iconografia

• Vitrais: Acima do Ceifador, há três vitrais. Os dois laterais exibem figuras encapuzadas e esqueléticas em prece. O vitral central contém um pentagrama invertido vermelho, símbolo clássico da rebeldia e do ocultismo dentro do Thrash/Death Metal.

• Paleta de Cores: A arte é dominada por um contraste vibrante entre o azul profundo (frieza, tecnologia, noite) e o vermelho fogo/laranja (sangue, destruição, calor do deserto).

4. Tipografia

• Logo (Deathgeist): Posicionado no topo, em um vermelho vivo com contornos pretos. A fonte é agressiva, com pontas afiadas e simetria característica das bandas de Metal Extremo da escola "old school".

• Título (Underworld): Localizado na base da imagem, a fonte é estilizada com traços verticais que parecem escorrer ou mimetizar estalagmites, mantendo a unidade visual cromática em vermelho.

Veredito final

Eu, Thiago Loureiro, vejo no álbum "UNDERWORLD" uma obra-prima da Deathgeist. O álbum prova que a banda não é apenas mais um nome no underground, mas uma potência capaz de elevar o Thrash Metal brasileiro a um patamar de referência. A produção é impecável, os arranjos são sofisticados e a performance de Adriano Perfetto nos vocais atinge um nível teatral raramente visto no gênero. É um disco obrigatório para qualquer fã de metal extremo global.

"Underworld" é "in-your-face" (direto na cara). Ela rejeita a "Loudness War" (guerra de volume) em favor do alcance dinâmico. Há espaço para o som respirar. É uma produção que respeita o passado do Thrash Metal, mas utiliza as ferramentas digitais contemporâneas para entregar um produto final que soa massivo em qualquer sistema de som, dos fones de ouvido de alta fidelidade aos PAs de festivais.

É a união da brutalidade analógica com a precisão cirúrgica digital. Álbum Altamente Recomendado.

Nota: 10/10.

Deathgeist é

Adriano Perfetto: Vocal e Guitarra

Victor Regep: Guitarra

Maurício "Cliff" Bertoni: Baixo (ex-Voiden, ex-Mystic).

Fernando Oster: Bateria (também do Woslom).

Créditos:

Álbum "Underworld" Gravado: Studio "Deathgeist".

Gravação, Masterização, Mixagem: Adriano perfetto.

Produção: banda "Deathgeist" sob o comando de Adriano Perfetto.

Tracklist

01 - Underworld

02 - Mind Games

03 - Destination: Dust

04 - The Kraken's Wrath

05 - U.F.O Inc

06 - Last Memories

07 - When Darkness Falls

08 - Into the Darkwood

09 - Skinwalkers

Para fãs de: Bywar, Farscape, Violator, Sepultura, Kreator, Destruction, Sodom, Exodus, Metallica, Coroner, Megadeth, Vektor, Dark Angel, Grave Digger, Overkill, Andralls, Woslom, Korzus, Blasthrash, Slayer, Suicidal Angels, Attomica, Warbringer, entre outras...

Plataformas digitais disponíveis:

 
 
 

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